SERVIÇOS

NOTÍCIAS DA ADEPOL-SC

Confira o artigo publicado na coluna semanal da ADEPOL-SC no jornal ND+


A corrupção pode parecer distante, restrita
aos grandes escândalos. Não é. Ela surge sempre que o interesse de todos é
colocado a serviço de poucos. Está no contrato direcionado, no favor em troca
de vantagem e no dinheiro público desviado. No fim, a conta chega ao cidadão.
    Cada recurso desviado representa algo que
não será entregue. Pode ser o remédio que faltará no posto, a escola sem
estrutura ou a viatura que não chegará a tempo. Corrupção não é um crime sem
vítimas. Atinge quem trabalha, paga impostos e espera serviços dignos.
    Há ainda a perda da confiança. Quando toda
decisão pública parece esconder um interesse particular, enfraquecem-se as
instituições e a democracia. Combater a corrupção não é apenas recuperar
dinheiro. É preservar a legitimidade do Estado.
    Nesse enfrentamento, a Polícia Civil de
Santa Catarina exerce missão indispensável. Com trabalho técnico e responsável,
investiga fatos complexos, segue fluxos financeiros, analisa documentos e reúne
provas, produzindo resultados relevantes na persecução penal. O rigor técnico e
a legalidade conferem credibilidade às investigações e fazem de Santa Catarina
um estado de destaque no combate à corrupção.
    Um dado ajuda a compreender o desafio
enfrentado. No índice de 2025 da Transparência Internacional, o Brasil ficou na
107ª posição entre 182 países avaliados, abaixo da média mundial. Mais do que
um ranking, o resultado é um alerta. A corrupção não está distante. Ela alcança
serviços, direitos e oportunidades.
    Na obra "A revolta de Atlas", Ayn Rand descreve
uma sociedade em que competência e mérito perdem valor diante das conexões
políticas. As regras deixam de proteger o interesse comum e passam a distribuir
privilégios. A lei torna-se instrumento de barganha e as decisões seguem a
proximidade com o poder. Assim, quem produz honestamente suporta o custo de
quem captura o Estado.
    Essa é uma das faces mais perversas da
corrupção: ela não apenas desvia recursos, mas inverte valores. O privilégio
parece direito, a influência substitui a competência e a desonestidade
disfarça-se de normalidade. A advertência de Rand permanece atual. Quando o
mérito é punido e a dependência do poder é recompensada, toda a sociedade
empobrece material e moralmente.
    Recusar favores ilícitos, fiscalizar,
denunciar e não naturalizar o “jeitinho” são atitudes de cidadania. Nenhuma
instituição vencerá a corrupção isoladamente. Quando sociedade e instituições
atuam na mesma direção, o inevitável torna-se intolerável. Integridade pública
não é abstração. É o que permite que direitos e serviços cheguem a quem
realmente precisa.

Por Gustavo Kremer
Delegado de Polícia
Vice-presidente
da ADEPOL SC
Diretor de Relações Institucionais da ADEPOL-BR
Coordenador
Estadual da Polícia Civil de SC na força tarefa do Grupo de Atuação Especial de
Combate às Organizações Criminosas.